Os que gostam de ler

Talvez faça calor hoje o dia todo. Mas isso não é problema, afinal, o tempo nunca tinha sido o problema até hoje para ele.
Refletia sobre algo muito importante, ou pelo menos muito importante para ele. Estava sentado na mesa da cozinha com a xícara de café fria na sua frente. Na mesa, além da xícara fria, tinha também um pão com manteiga, alguns talheres, um jornal aberto na pagina que fizera ele refletir, uma mancha de algo que foi derramado parecendo ser café e algumas formigas.
Atrás dele tinha um rádio onde tocava uma musica velha dos anos 60, uma luz apagada, uma geladeira que está vazia, alguns livros esparramados sobre a mesa onde estava o rádio e o corredor que dava acesso ao resto da casa onde morava.
De repente, ao ritmo da musica, ele deixou ser levado por um sentimento quase sutil. Lembrou de todos os momentos bons, pois a musica atrás dele fala de algo muito bom, e aliás, ele gostava de quem cantava aquela musica.
A musica pode fazer com que ele abandonasse aquele instante perturbador que se formara naquela manhã de segunda-feira. Pode também fazer nascer algo que há muito tempo não aparecia por aquele lugar tão monótono e vazio de emoções.
Sai uma lágrima de seus olhos. A lágrima brilhava e molhava o rosto daquela pessoa que até o momento estava cercado de duvidas que jamais saberemos o que são. Duvidas que morreram com ele, se resolveram por ele e tudo o que podemos saber é onde tudo aquilo começou.
A lágrima, que agora escorria por perto do queixo, de repente fez questão de cair em uma das mãos que estavam apoiadas sobre o colo do sujeito. E nesse mesmo instante a mão do sujeito sentiu o que há tempos lhe faltava, o que há tempos tinha se perdido, o que há tempos não sentia mais. E então a lágrima foi de encontro a superfície calejada, dura e seca da mão ao mesmo passo em que a mão pode sentir a leveza, a pureza e a serenidade da gota que lhe molhava a superfície.
E foi assim que tudo começou naquela casa. Tantos sentimentos vazios que haviam se espalhados ao passar do tempo. Sentimentos sem cores, sem força e sem vontade. Foi assim que a vida retornou ao teto daquele sujeito e mais uma vez, talvez por um milagre, uma loucura deixou de ser elaborada, pensada e realizada.
Foi assim ao som de uma musica com letras miúdas, cada palavra com um sentimento, cada nota com uma emoção. E foi assim que as coisas se resolveram. As lágrimas puderam sair para ver a vida e a vida entrar para se sentir confortável.

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