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Cogitou a possibilidade de trair a namorada. Ligou para a outra e a outra atendeu. Fez juras de amor e disse que era doido por ela. Que nunca a havia esquecido e lembrava sempre dela em todas as áreas do pensamento. Disse tudo isso e depois foi até a varanda para acender o seu ultimo cigarro. Olhou para o relógio e viu os ponteiros. Deduziu que era umas nove e vinte da noite. Pensou “logo, daqui a quarenta minutos ela estará aqui”. Mas não passava pela sua cabeça a idéia de que ela talvez não estivesse tão afim. Mas concluiu que se ela realmente estiver vindo é por que provavelmente esteja.

Quando foi dez e dez da noite a campainha tocou. Ele já havia tomado o seu banho, tinha vestido a melhor cueca e foi pego de surpreso pelo toque da campainha. Ele na verdade tinha pensado em trancar tudo já e ir dormir. Bom, como já tinham tocado a campainha anteriormente e não era ela, talvez dessa vez não seja de novo.

Quando a porta se abriu e diante dela surgiu um homem mais velho do que aquele que um dia teve um relacionamento há três anos seu coração disparou. Seus olhos se encheram de lágrimas e foi bonito. Na mesma hora um choque de emoções a surpreendia. E foi lindo por que ela, como era tão pequena, pulou de tanta energia que havia carregado até ali, esperando aquele momento. Ela pulou, agarrou ele e disse que estava muito molhada, pois a chuva havia molhado os seus sapatos.

Eles entraram, e foi lindo. Nada aconteceu. Ele não traiu a namorada e deixou ela partir outra vez rumo ao horizonte dos sozinhos perdidos, da muralha da moralidade, da sociedade hipócrita que nos rodeia todos os dias.


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